A _ cor _ dar , é preciso !






Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.

Mahatma Gandhi

sábado, julho 22, 2017

Côr de as mãos


















Aqui estão as mãos .
São os mais belos sinais da terra.
Os anjos nascem aqui  . . .
frescos, matinais, quase de orvalho ,
de coração alegre e povoado.

Ponho nelas a minha boca ,
respiro o sangue , o seu rumor branco ,
aqueço-as por dentro , abandonadas
nas minhas , as pequenas mãos do mundo.

Alguns pensam
que são as mãos de  Deus 
eu sei que são as mãos de um homem ,
trémulas barcaças onde a água ,
a tristeza e as quatro estações
penetram , indiferentemente.

Não lhes toquem ... são amor e bondade.
Mais ainda ... cheiram a madressilva.
São o primeiro homem , a primeira mulher .
E amanhece.









Eugénio   de   Andrade   _  Até  Amanhã  _
imagem  _   Miguel    Ângelo  _

quinta-feira, julho 20, 2017

quarta-feira, julho 19, 2017

Côr de escutar com a alma
























Descobri ,
que   quando   alguém   nos   procura   para  desabafar ,
não   nos  pede  palavras ,
mas   sim   uma   alma  completamente   escancarada    
onde    a    compreensão   e   o   silêncio    residam . 








imagem   _   Hiroshi   Yogi  _

terça-feira, julho 18, 2017

Côr de sou . . .





  [ . . . ]

Sou  a  que  chamam triste  sem  o  ser ...
Sou  a que  chora  sem  saber  porquê ...


Sou  talvez  a  visão que  Alguém  sonhou ,
Alguém  que veio ao mundo  pra  me  ver
E   que   nunca  na  vida  me  encontrou 













Florbela Espanca, _  Livro de Mágoas  _
imagem  _  Omar  Galliani  _ 
 

segunda-feira, julho 17, 2017

domingo, julho 16, 2017

Côr de só em flor







































Amor 
perfeito   . . .   . . .
                  sim ,
responde  a    flor 











imagem  _    Lauren  Mils    _

sexta-feira, julho 14, 2017

Côr de grandes



























Aproximamo - nos  
do   grandioso  ,  quando    somos   grandes  
em   humildade   .








  




Rabindranath    Tagore  _   A   Asa  e   a   Luz  _
imagem  _   May   Gibbs

quarta-feira, julho 12, 2017

Côr de assecível






















Descobri ,
que   quando   confrontada   com   uma    incompreensível   aridez  ,  disfarçada   de bonomia  ,
o   melhor  é  exilar - me   para   uma  outra   lógica .
Uma   lógica   simples   e  clara .
Que   seja   acessível   ao   comum   dos   mortais !    











imagem _  Michael Parkes  _

terça-feira, julho 11, 2017

segunda-feira, julho 10, 2017

Côr de humildade




















Tanto que fazer !
livros que não se lêem, cartas que não se escrevem ,
línguas que não se aprendem ,
amor que não se dá ,
tanto quanto se esquece .

Amigos entre adeuses ,
crianças chorando na tempestade ,
cidadãos assinando papéis , papéis , papéis . . .
até o fim do mundo assinando papéis.

E os pássaros detrás de grades de chuva ,
e os mortos em redoma de cânfora .

E uma canção tão bela  !

Tanto que fazer !

E  fizemos apenas isto . . .

E nunca soubemos quem éramos
nem para quê .








Cecilia  Meireles
imagem  _   Vincent van Gogh   

domingo, julho 09, 2017

Côr de amoras e picos



























Como as inquietas aves ribeirinhas ,
também nós fazemos em Agosto
a nossa safra de amoras ,
evitando com prudência os picos
que as dificultam e tornam cobiçadas .

Bendita sejas , irmã silva , que nos dás
as amoras e os picos .

Que de tudo se precisa nesta vida . 
[ Na outra , por enquanto não se sabe. ]










A.M.Pires Cabral
imagem  _   Edith   Holden   ,  A   alegria  de  viver com  a   natureza  _

sábado, julho 08, 2017

Côr de poder acreditar



























Não
minto   a   mim   mesma   para   me    enganar ,
faço -  o
para   poder   acreditar  . . .










imagem  _   Cristian   Schloe

sexta-feira, julho 07, 2017

quinta-feira, julho 06, 2017

Côr de noite fora . . .


























Dissolvo-me na sombra da paisagem ,
separo-me de nós , de mim , serei só quase
a chama no carvão que fica ardendo
noite fora , noite fora .
Acordaremos , já sei , transparentes e sábios ,
do outro lado da criação do mundo .

uma mão presa à luz , outra nas trevas ,
um só tronco de chamas , uma asa .




António  Franco  Alexandre  _  Poemas  ,  A .  &  A .  _
imagem  _   Michel Ogier _

quarta-feira, julho 05, 2017

Côr de desejos vãos ?

























[  ... ]

Eu queria  ser a  pedra  que  não  pensa ,
A  pedra  do caminho , rude  e  forte !
. . .
 E as  pedras ... essas ... pisa-as  toda a  gente ! ...







Florbela  Espanca  [  desejos vãos  ,  excerto
imagem  _   Braldt   Bralds



Não  . . .


A   
pedra    só    não   voa  porque   não   quer ,
e
não   porque   não   tenha    asas  .

terça-feira, julho 04, 2017

segunda-feira, julho 03, 2017

Côr de tento


























Tento
escolher ,   com    todo   o   cuidado ,
as
palavras   que   não    quero   dizer .

domingo, julho 02, 2017

Côr de o bem .



























O    
bem    nunca    vem   sózinho  . . .
Vem   ,   sempre  ,  na   companhia   de 
tudo  . . .







  






 imagem   _  John William Waterhouse  _

sábado, julho 01, 2017

Côr de seus própis nomes



























Os
meus   pensamentos   tristes  ,  desafiam -me ,  perguntando
os
seus   próprios   nomes .








Rabindranath    Tagore   _   A   Asa  e   a   Luz  

sexta-feira, junho 30, 2017

Côr de dôr de cabeça



























As
minhas  enchaquecas    regressaram  [convenci - me   que  me  tinha   libertado  delas , para   para  sempre ]

Será   que   este   regresso  aconteceu  . . .
para   poupar   o   coração  ?      









 

imagem  _   Marina   terauds  _

quarta-feira, junho 28, 2017

Côr de sempre vida





















 
Quando   
as   folhas   mortas   se   desfazem   no   chão  ,
entram   na   vida   da   floresta  .











Rabindranath   Tagore  _   A  Asa   e  a   Luz  _
imagem  _   net  _

domingo, junho 25, 2017

Côr de São Francico de Assis .



























[ . . . ]

Haveria   muito   a  dizer   sobre o   homem   que  tentou   acabar   com  as   Cruzadas   falando   com   os   sarracenos ,  ou   que  intercedeu   pelos  pássaros   junto  do   Imperador .
. . .

Poderia   descrever   este   demagogo  divino  como  algo  que  provavelmente  foi  ... 
o  único   democrata  a  sério  do  mundo .
Poderia   dizer  que  São   Francisco  estava  à  frente  do  seu  tempo.
Poderia  dizer  que  São   Francisco  antecipou  as  características  mais  liberais   e  compreensivas  do  mundo  moderno  ...  o  amor à   natureza ,  o  amor  aos  animais ,  a  compaixão   social ,  a  noção  dos  perigos  que  resultam   da  propriedade  .
. . .

São Francisco  que  se recusava  a  deixar de  ver as árvores  por causa  do   bosque ,
e   ver  os homens  por causa  da multidão  .
. . .    

São  Francisco  que  pode  muito  bem  ser  apresentado  como  como  o  primeiro  herói  do humanismo . 

Há  quem  diga , que  foi  uma  espécie   de  estrela   da  manhã  do  Renascimento .
    










G. K .  Chesterton  _   São  Francisco  de  Assis pequenos excertos  ]
imagem  _   Giotto  _

domingo, junho 18, 2017

Côr de Dôr e Tristeza




























Não  esquecendo  os  animais  ditos  irracionais !

 



 




imagem   _   Ada Muntean   _ 

Côr de País Relativo



























País por conhecer, por escrever, por ler...


 

                        *

 
País purista a prosear bonito,

a versejar tão chique e tão pudico,

enquanto a língua portuguesa se vai rindo,

galhofeira, comigo.

 

                        *

 

País que me pede livros andejantes

com o dedo, hirto, a correr as estantes.

 

                        *

 

País engravatado todo o ano

e a assoar-se na gravata por engano.

 

                        *

 

País onde qualquer palerma diz,

a afastar do busílis o nariz ,
Não , não é para mim este país !
mas quem é que bàquestica sem lavar

o sovaco que lhe dá o ar ?

 

                        *

 

Entrecheiram-se, hostis, os mil narizes

que há neste país.

 

                        *

 

País do cibinho mastigado

devagarinho.

 

                        *

 

País amador do rapapé,

do meter butes e do parlapié,

que se espaneja, cobertas as miúdas,

e as desleixa quando já ventrudas.

 

                        *

 

O incrível país da minha tia,

trémulo de bondade e de aletria.

 

                        *

 

Moroso país da surda cólera,

de repente que se quer feliz.

 

                        *

 

Já sabemos, país, que és um homenzinho ...

 

                        *

 

País tunante que diz que passa a vida

a meter entre parêntesis a cedilha.

 

                        *

 

A damisela passeia

no país da alcateia,

tão exterior a si mesma

que não é senão a fome

com que este país a come.

 

                        *

 

País do eufemismo, à morte dia a dia

pergunta mesureiro ...  Como vai a vida ?

 

                        *

 

País dos gigantones que passeiam

a importância e o papelão,

inaugurando esguichos no engonço

do gesto e do chavão.

 

E ainda há quem os ouça, quem os leia,

lhes agradeça a fontanária ideia!

 

                        *

 

Corre boleada, pelo azul,

a frota de nuvens do país.

 

                        *

 

País desconfiado a reolhar para cima

dum ombro que, com razão duvida.

 

                        *

 

Este país que viaja a meu lado,

vai transido mas transistorizado.

 

                        *

 

Nhurro país que nunca se desdiz.

 

                        *

 

Cedilhado o cê, país, não te revejas

na cedilha, que a palavra urge.

 

                        *

 

Este país, enquanto se alivia,

manda-nos à mãe, à irmã, à tia , a nós e  à  tirania ,


sem perder tempo nem caligrafia.

 

                        *

 

Nesta mosquitomaquia

que é a vida,

ó país,

que parece comprida !

 

                        *

 

A Santa Paciência, país, a tua padroeira,

já perde a paciência à nossa cabeceira.

 

                        *

 

País pobrete e nada alegrete,

baú fechado com um aloquete,

que entre dois sudários não contém senão

a triste maçã do coração.

 

                        *

 

Que Santa Sulipanta nos conforte

na má vida, país, na boa morte !

  

                        *

 

País das troncas e delongas ao telefone

com mil cavilhas para cada nome.

 

                        *

 

De ramona, país, que de viagens

tens, tão contrafeito...

 

                        *

 

Embezerra, país, que bem mereces,

prepara, no mutismo, teus efes e teus erres.

 

                        *

 

Desaninhada a perdiz,

não a discutas, país !

Espirra-lhe a morte pra cima

com os dois canos do nariz !

 

                        *

 

Um país maluco de andorinhas

tesourando as nossas cabecinhas

de enfermiços meninos, roda-viva

em que entrássemos de corpo e alegria !

 

                        *

 

Estrela trepa trepa pelo vento fagueiro

e ao país que te espreita, vê lá se o vês inteiro.

 

Hexágono de papel que o meu pai pôs no ar,

já o passo a meu filho, cansado de o olhar ...

 

                        *

                       

No sumapau seboso da terceira,

contigo viajei, ó país por lavar,

aturei-te o arroto, o pivete, a coceira,

a conversa pancrácia e o jeito alvar.

 

 

Senhor do meu nariz, franzi-te a sobrancelha ,

entornado de sono, resvalaste para mim.

Mas também me ofereceste a cordial botelha,

empinada que foi, tal e qual clarim !





 

             





Alexandre   O´Neill   _   Poesias   Completas    _