A _ cor _ dar , é preciso !






Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.

Mahatma Gandhi

quarta-feira, novembro 22, 2017

Côr de desamor




























Desmama-te desanca-te desbunda-te
Não se pode morar nos olhos de um gato

Beija embainha grunhe geme
Não se pode morar nos olhos de um gato

Serve-te serve sorve lambe trinca
Não se pode morar nos olhos de um gato

Queixa-te coxa-te desnalga-te desalma-te
Não se pode morar nos olhos de um gato

Arfa arqueja moleja aleija
Não se pode morar nos olhos de um gato

Ferra marca dispara enodoa
Não se pode morar nos olhos de um gato

Faz festa protesta desembesta
Não se pode morar nos olhos de um gato

Arranha arrepanha apanha espanca
Não se pode morar nos olhos de um gato



 


Alexande O'Neill  [  poema  Desamor
 imagem  _ Luís  Filipe  Gomes





Nós  ,  como  gatos  . . .

sábado, novembro 18, 2017

Côr de olhos de um gato




























Queixa-te , coxa-te , desnalga-te  , desalma-te 

Não  se  pode  morar  nos  olhos  de  um  gato .







Alexandre O'Neill
      _    Poema  do  desamor  [   Pequeníssimo  extracto   ]   _

imagem   _   Werner   Bischof _






Não  se  pode  morar  nos  olhos  de  um  gato  ?!

Claro
que   podes ,  desde   que   possuas    uma  alma   macia   carregada    de    
sonhos   e    mistérios ,
e  
em   ti  tenha   feito   ninho ,  o   precioso   dom    da   independência  e  liberdade .
 

sexta-feira, novembro 17, 2017

domingo, novembro 12, 2017

Côr de como se faz ?
















Como se faz ?

Quando alguém se vai embora de repente , como é que  se  faz  para  ficar ?
Quando alguém morre , quando alguém se separa .
Como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa  já  lá 
não está ?
As pessoas têm de morrer . Os amores de acabar.  
Sim, mas como se faz Como se esquece
Devagar. 
É preciso esquecer devagar.
 Se uma pessoa tenta esquecer  de repente , a outra pode ficar  para sempre. 
Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-la. 

A saudade é uma dor que só passa  depois de devidamente doída, devidamente   honrada .

O esquecimento não tem arte. 

Para esquecer é preciso deixar correr o coração , de lembrança em lembrança ,

na esperança de ele se cansar. 









Miguel  Esteves Cardoso frases " surripiadas " de  Ultimo  Volume _
imagem  _Irena Komadinie _


sábado, novembro 11, 2017

Côr de aniversário Teu .























Mãe
o   nó   cego   que  deste   com  as   tuas   mãos  e  as   minhas   está  cada  vez  mais   apertado .



Momentos   há    que   as  confundo      .
Mas   apenas   por   um   lapso  de  segundo .
É   
que   nas  minhas    falta   o  teu    impulso   e    arrojo  .   


 

É isso Mãe ...  continuas    a   faltar -  me . . .  o   impulso  . !

quinta-feira, novembro 09, 2017

Côr de com todas as minhas forças
















Se
um   dia   caíres ,   tentarei  , com   toas  as  minhas   forças ,
levantar - te .
Caso   não   consiga  . . .

deitar  -me -  ei   a   teu   lado .








imagem  _  Diane   Desmarais  _

segunda-feira, novembro 06, 2017

Côr de anginho inocente .


























Eu
também   fui  menino ,  um  "anjinho inocente ".

Na   escola ,   a  mestra   ensinou -nos   que   Balboa ,
o  conquistador   espanhol ,  tinha   avistado   no   alto
de  um  cume   do  Panamá  ,  de   um  lado , o Oceano 
Pacífico  e ,  do  outro ,  o   Atlântico  .
Foi   ele ,  disse   a   mestra ,   o   primeiro   homem  a
ver  esses  dois   mares   ao   mesmo   tempo .
Eu  levantei   a  mão . . .
_  Senhora   professora ,  senhora   professora ?
E   perguntei ...
_  Os  índios   eram   cegos

Foi   a   primeira   expulsão   na   minha   vida  .   






Eduardo   Galeano _   O   caçador   de   histórias _
imagem  _Artur   Rimbaud  _  




Quando ,
cá  , frequentei   o   liceu ,  também  ,  provei   o   mesmo   resultado ,  quando  apenas 
  "   pensava    alto  " .  

quinta-feira, novembro 02, 2017

Côr de a busca da justiça continua




























O
 primeiro  tema da  reflexão  grega  é a  justiça .

E eu penso nesse instante em que ficaste exposta
Estavas grávida porém não recuaste
Porque a tua lição é esta . . . fazer frente .

Pois  não  deste  homem  por  ti
E  não  ficaste  em  casa  a  cozinhar   intrigas
Segundo  o  antiquíssimo  método  oblíquo das mulheres
 Nem  usaste   de  manobra  ou  de  calúnia
E  não  serviste  apenas  para  chorar  os  mortos .
 
Tinha  chegado  o  tempo
Em  que  era  preciso  que  alguém  não  recuasse
E  a  terra  bebeu  um  sangue  duas  vezes   puro .

Porque  eras  a  mulher  e  não  somente a  fêmea
Eras  a inocência   frontal   que  não  recua .


Antígona  poisou  a  sua  mão  sobre  o  teu  ombro 

no  instante em que morreste .


E    a  busca  da  justiça   continua  . 








Sofia de  Mello B . Andresen . 
imagem  _   net  _

domingo, outubro 22, 2017

Côr de não destruição















Para
que  o  carácter  humano  revele  qualidades  verdadeiramente  excepcionais 
temos  de  ter  a  boa  sorte  de  ser  capazes  de  observar  o   seu  desempenho
durante  muitos  anos .
Se  esse  desempenho  é   desprovido  de   egoísmo ,  se  o  seu   propósito  é
uma   generosidade  inigualável ,  se  há  a  certeza  absoluta  de  que  não  
existe  uma  ideia  de  recompensa  e  que  esse  propósito ,  além  do  mais ,
deixou   a  sua   marca  visível  na  terra ,   então ,  não  haverá   engano .











Jean  Giono  _   O  homem  que  plantava  árvores  _
imagem  _  Marina  Terauds  _         
 

sábado, outubro 21, 2017

Côr de limite
























Parece que todo sofrimento tem um limite. 
A partir do limite, ou desaparece ou se transforma, assume a cor da vida. Talvez ainda doa, mas a dor é esperança e vida. 
Assim aconteceu comigo com a solidão. Agora não estou menos sozinho que na minha pior época. Mas a solidão é uma mistura que nem me drogou ou pode machucar -me, bebi deste copo o suficiente para imunizar-me contra o seu veneno. 
Mas não é realmente veneno ...   foi , mas foi transformado.

Veneno é tudo aquilo que não aceitamos , não amamos, não somos capazes de saborear com gratidão. 

E tudo o que amamos , tudo o que nos serve para extrair e sugar a vida  . . .
 é  vida e valor .












Hermann Hesse
imagem  _   Ami   Judd  _

segunda-feira, outubro 16, 2017

Côr de o fogo de todos nós






















Tristeza ,  cansaço ,  desespero ,
à
mistura com  muita  determinação , coragem  e  força . 











imagem _    Ada   Muntean   _

Côr de Summertime





domingo, outubro 15, 2017

Côr de respeito mútuo



























Não ,
não  nos   coloquem   rótulos .
Deixem   que   sejamos   apenas   nós .

É  . . .
isso    chama - se   . . .
respeito   mútuo  .













imagem  _   Omar    Galliani   _

sábado, outubro 14, 2017

Côr de Fado Laranjeira







Letra: J. César Valente
Música: Alfredo Marceneiro


sábado, outubro 07, 2017

Côr de calúnias



















Segundo 
dizem ,  o   homem   é    o   lobo   do   homem .
Contudo,  nunca ,  em   ocasião   alguma ,  um   lobo  mata   outro  lobo  .
Eles  não   se  dedicam  ,  como   nós  ,  ao   extermínio   mútuo .
Os   lobos  têm   má   fama ,   mas   não   são   eles   que   estão   a   transformar   o   mundo   num    imenso   manicómio   e   num   
povoadíssimo   cemitério  .  








Eduardo  Galeano  _   O   Caçador  de   Histórias   _

imagem  _  Cal    Brenders   _

Côr de Eduado Galeano

























O
grande humanista, que soube voar às escuras, como os morcegos, nestes tempos sombrios .

E
que no seu  ultimo  livro  ,  O   Caçador  de   Histórias  ,    diz   . . .

Continuo a acreditar que o arco-íris humano tem mais cores e mais fulgores do que o arco-íris celeste, mas estamos cegos. Ou melhor, que uma longa tradição mutiladora nos cegou.

E direi que escrevo para tentar que sejamos mais fortes do que o medo do erro ou do castigo, na altura de fazer a escolha no eterno combate  entre  
os indignos e os indignados.



O
homem  por  quem  me   apaixonei   há   anos  e   que , apenas  passou  para  o  outro lado  do  caminho  a  13  de  Abril   de 2015 ,  mas   que   continua  vivo . [  faz  parte   dos  seres  que   da  "  lei   da  morte  se   libertaram  " ]

sábado, setembro 30, 2017

Côr de a criação dos seres .
















O
espírito  tinha  inicialmente ,  a  forma  de  um  homem   e  uma   mulher  enlaçados .
Mais  tarde  ,  este  ser ,  ou  Eu ,  separou -se  em  dois ,  dando   assim 
origem  ao  marido  e  esposa .
Uniu - se  a  ela .   A  humanidade  foi  engendrada  por  esta  união .
A   esposa  perguntou   - se  . . .
Porque   razão   ele  se  une  a  mim ,  tendo - me   engendrado  a  partir  
dele  ? 
Vou  esconder - me .
Ela  transformou - se  em  vaca   e   ele  transformou -se   em   touro .
Ela  transformou - se  sucessivamente   em   jumenta  ,  cabra ,  ovelha ,  etc  .
E   foi  assim  que  tudo  o   que  tem   forma  de   par  foi  criado  na  terra  , 
do  homem   até   às   formigas .












Conto  Indiano 700  a. C. _  Brihadaranya  Upanihad _ 
Rosa do  Mundo  2001  poemas  para  o  futuro .
imagem   _   Adonna  Khare  _

sexta-feira, setembro 29, 2017

Côr de burocracia





















Sixto Martínez  fez  o  serviço  militar  num  quartel  de  Sevilha. 

No  meio do pátio desse quartel havia  um banquinho. Junto  ao  banquinho, 
um  soldado  montava  guarda. 
Ninguém sabia porque se montava guarda para o banquinho.
A  guarda era feita  por que sim, noite e dia, todas as  noites, todos  os dias,
e de geração  em  geração  os  oficiais  transmitiam  a  ordem  e os soldados obedeciam.
Ninguém  nunca  questionou , ninguém  nunca  perguntou.
Assim era feito, e sempre tinha sido feito.
E assim  continuou  sendo  feito  até que  alguém , não  sei  qual  general ou
coronel , quis  conhecer   a ordem original.
Foi  preciso revirar os arquivos  a  fundo. E  depois de muito cavoucar , soube-se . . .

Fazia trinta e  um  anos, dois meses e quatro  dias, que um oficial tinha 
mandado  montar guarda junto ao banquinho, que fora , recém-pintado, para que . . . 
ninguém  se sentasse na tinta  fresca . 









 Eduardo   Galeano  _    O livro  dos  abraços  _
imagem  _  Jean  Baptiste   Monge  _

quarta-feira, setembro 27, 2017

Côr de cortar rente






























é 
preciso cortar rente
tão  rente  que  doa
e
ainda que  rente
uma  ou  outra ,  voa .  










imagem  _  Albrecht   Dürer  _

domingo, setembro 24, 2017

Côr de todos os dias


























A
estranha   prometeu   que   regressava   logo . Já  , o  mais  tardar .
Não  sei  quanto  demorou .  Talvez  umas   tantas  noites  ou  escassos  instantes . Nem  sei .
Porque  adormeci  ,  ansioso   por  me  suprimir .
Doeu - me  acordar .
Nesse   custo  ,  entendi   . . .
acordar  não  é  a   simples  passagem   do  sono  para  a  vigília .  É   mais  um  lentíssimo  envelhecimento . 
Cada  despertar   somando  o  cansaço  da  inteira  humanidade .
E   concluí  . . .
a   vida  toda  ela ,  é   um  extenso   nascimento  .




Mia  Couto _   Cada  homem  é  uma  raça pequeno   excerto ]  _
 imagem _   Olaf   Hajek  _






Depois   
desta   leitura , tornou -se  claro  ...  o  meu  acordar  sofrido  ,  roçando  a  uma  recusa .
Nascer  dói .

Mas , 
logo ,  logo , aparece  a   Natureza ,  com  as  suas  incomensuráveis  belezas ,  que  nos  pega na  mão   e   diz  . . .
_   dói  ,   mas   vale _        

sexta-feira, setembro 22, 2017

Côr de Outono




























A
minha   estação   . 






Imagem  _  Alphonse  Mucha   _

segunda-feira, setembro 18, 2017

domingo, setembro 17, 2017

Côr de . . . segura o mundo



















/ Quando 
Baltasar entra em casa , ouve o murmúrio que vem da cozinha , é a voz da mãe , a voz de Blimunda, ora uma , ora outra ,  mal se conhecem e têm tanto para dizer , 
é a grande , interminável conversa das mulheres , 
parece coisa nenhuma , isto pensam os homens , nem eles imaginam que esta conversa é que segura o mundo na sua órbita , não fosse falarem as mulheres umas com as outras ,
 já os homens teriam perdido o sentido da casa e do planeta .






  




José Saramago _  Memorial  do  Convento  pequeno   excerto  ]  _ 
imagem _ Francine   Van   Hove  _   

terça-feira, setembro 12, 2017

Côr da pequena morte























Não
nos  provoca  riso  o  amor quando  chega  ao  mais  profundo  da  sua 
viagem ,   ao  mais  alto  do  seu  vôo . . .
no  mais  profundo ,  no  mais  alto ,  nos  arranca  gemidos   e  suspiros ,
vozes  de  dor ,  embora   seja   a  dor  jubilosa , e  pensando  bem  não há  
nada  de  estranho  nisso , porque  nascer  é  uma  alegria  que  dói .
Pequena  morte  ,  chamam  na  França  a  culminação  do  abraço  ,  que  
ao  quebrar - nos  faz  por  juntar - nos ,  e  perdendo - nos  faz  por  nos
encontrar  e  acabando  conosco  nos  principia .

Pequena   morte ,   dizem  . . .  mas   grande ,  muito  grande  haverá 
de  ser , 
se  ao  nos     matar   nos   nasce .










Eduardo   Galeano  _  Mulheres  _
imagem  _  Claude  Théberge  _

domingo, setembro 10, 2017

Côr de sofrimento






Quando ,
a   natureza   reage   ao   desrespeito   com   o   qual   tem  sido   tratada   . . . 
enfrentamos 

sofrimento

sexta-feira, setembro 08, 2017

Côr de sei























Sei
que  o  único  canto ,
o  único  digno  dos  cantos  antigos ,
a  única  poesia ,
é  a  que  cala  e  ainda  ama  este  mundo ,

esta  solidão  que  enlouquece  e  despoja .













António  Gamoneda Oração Fria  _
imagem  _    Christian Schloe  _

segunda-feira, setembro 04, 2017

Côr de pequenos grandes amores




























Ontem  ,
os  meus   dois   pequenos   grandes   amores   completaram   doze   anos   de  vida .

Claro   que  a  Mariana   estava   felicíssima  e orgulhosa , pois  _  "   estás   a  uma   linda   rapariga  " _  ,     o   que   mais   se  ouvia   .
E
é  verdade .   Linda  por   dentro   e   por   fora  .


A    Ana  ,  também   foi   convidada   para   a  festa ,  porém   declinou   o   convite .  
É   uma  gatinha   muito  reservada  . 
A   sua   festa   foi  entre  nós   .  Dei -lhe   todos   os  carinhos   que  ela  não   se  acanha   de  pedir   e   um   presente .  Agradeceu  com  uma  "  torrinha  "  mais   demorada .


Há   um   porém ,
a   Ana   tem  ciúmes , enormes ,  da   Mariana  .   Não   posso  tê - las  juntas . 
Mas   é  apenas  com  ela   que   tem    esta  reacção .
Já   lhe   expliquei   que  " chego "   para  as  duas  .  Mas ela  não  entende :) !

E   assim   se   passou   mais  um   ano   deste   dois   seres   que   muito   amo !


Para   o   ano   aqui   estaremos  . . .   com   toda   a  certeza .